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No que eu acredito

Manifesto.

Um posicionamento, não uma apresentação. Aqui está como eu enxergo a clínica infantojuvenil — e o que eu me recuso a fazer.

Eu trabalho com crianças e adolescentes há tempo o bastante para saber que cada família que chega no consultório está cansada. Cansada de procurar resposta, de receber diagnóstico apressado, de ouvir conselho de quem nunca esteve dentro daquela casa.

Este texto não é folder. É a régua que eu uso comigo mesma — a parte do meu trabalho que não negocio.

01

Acredito que criança não é projeto a ser consertado.

A criança que entra aqui não é um problema com manual de uso. É uma pessoa inteira, com história curta mas densa, vivendo em um corpo que ainda está aprendendo o mundo. Meu trabalho começa em conhecê-la, não em ajustá-la.

02

Defendo a conexão antes da correção.

Nenhuma técnica funciona sem vínculo. TCC, ABA, ludoterapia — tudo isso é ferramenta. O que sustenta a mudança é a relação. Uma criança só aceita ser desafiada por alguém em quem ela confia. Vínculo não é etapa, é base.

03

Respeito o silêncio dentro da sessão.

Tem dia que a criança chega e não quer falar. Quer brincar, quer ficar quieta, quer testar se eu vou aguentar o vazio. Aguento. Silêncio também é conteúdo clínico — e forçar palavra onde ainda não tem é desrespeitar o tempo dela.

04

Recuso o diagnóstico como sentença.

Um laudo de TEA, de TDAH, de ansiedade — abre porta para acesso, para terapia, para escola. Não fecha porta para nada. Trabalho para que o diagnóstico nunca seja confundido com identidade da criança ou com limite do que ela pode se tornar.

05

Acredito que a família entra na sala junto.

Não atendo criança no vácuo. Pais, mães, avós, cuidadores — todo mundo que vive aquela rotina é parte do processo. Orientação parental não é favor, é método. Sem a casa caminhando junto, a sessão vira ilha.

06

Defendo o tempo da terapia, não o tempo da pressa.

Desenvolvimento infantil não obedece prazo. Tem família que quer resultado em três sessões; tem criança que precisa de seis meses só para conseguir entrar no consultório sem chorar. Os dois são legítimos. O que não dá é vender milagre.

07

Recuso a ideia de que ciência é fria.

Trabalho com TCC e ABA porque são abordagens com evidência — e ao mesmo tempo trabalho com afeto, com brincadeira, com colo. Rigor e ternura não brigam. Quem diz que sim nunca sentou no chão para entender uma birra.

08

Acredito que cuidar de uma criança é cuidar de um ecossistema.

É por isso que a abelhinha entrou no meu trabalho. Ela poliniza, produz, vive em colmeia, se defende quando precisa. A clínica que eu faço também é assim: não isolada, não predatória, ligada a tudo que está em volta da criança — a casa, a escola, os irmãos, o pediatra, o tempo.

Se você leu até aqui e algo aqui dentro te tocou, é porque provavelmente a gente já se entende.

O resto a gente conversa.

Jessica Costa Psicóloga Infantojuvenil — CRP 05/79764

Conversar antes de agendar.

Sem formulário longo, sem compromisso. Manda uma mensagem e a gente vê se faz sentido começar.

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