Desenvolvimento Infantil

Telas e Desenvolvimento Infantil: Como Encontrar o Equilíbrio

Por Jessica Costa | Atualizado em 2025

Tablets, celulares e TV fazem parte da realidade das crianças. Mas qual o impacto no desenvolvimento? Saiba o que a ciência diz e como estabelecer limites saudáveis.

A realidade digital das crianças

Vivemos em uma era digital e negar isso não é realista. Crianças nascem em um mundo onde as telas estão em todos os lugares — na sala, na cozinha, no carro, no restaurante. O desafio não é eliminar as telas, mas aprender a usá-las com consciência.

A questão não é se as crianças devem usar telas, mas como, quanto e quando.

O que a ciência diz sobre tempo de tela

0 a 2 anos: Evitar ao máximo

Nessa fase, o cérebro está em desenvolvimento acelerado. As conexões neurais mais importantes se formam através de interações humanas reais — contato visual, toque, voz, brincadeira. As telas não substituem isso. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar telas para crianças menores de 2 anos.

2 a 5 anos: No máximo 1 hora por dia

O uso deve ser limitado a conteúdos de qualidade, educativos e apropriados para a idade. Sempre que possível, assista junto com a criança — isso transforma um consumo passivo em oportunidade de aprendizagem e conexão.

6 a 10 anos: Entre 1 e 2 horas por dia

Com supervisão e regras claras sobre conteúdo. É importante equilibrar o tempo de tela com atividades físicas, brincar livre, leitura e interações sociais presenciais.

Adolescentes: Combinados e supervisão

Mais do que limitar horas, é importante conversar sobre conteúdo, segurança online, redes sociais e pressão digital. Estabeleça combinados em vez de impor regras rígidas.

Impactos do excesso de telas

No desenvolvimento cognitivo

No desenvolvimento emocional

Na saúde física

No desenvolvimento social

Como estabelecer limites saudáveis

1. Crie zonas e horários livres de tela

Defina que durante as refeições, antes de dormir e no quarto não há telas. Esses limites devem valer para toda a família — incluindo os adultos.

2. Priorize conteúdo de qualidade

Nem todo conteúdo digital é igual. Prefira aplicativos educativos, programas interativos e conteúdos que estimulem criatividade. Evite conteúdos passivos como vídeos de unboxing ou autoplay infinito.

3. Use telas como ferramenta, não como babá

É tentador entregar o celular para a criança ficar quieta. Mas usar telas como recurso constante para acalmar ou entreter priva a criança de aprender a lidar com tédio e frustração — habilidades essenciais.

4. Ofereça alternativas atraentes

Crianças recorrem às telas quando não têm outras opções. Tenha sempre à mão: livros, jogos de tabuleiro, materiais de arte, brinquedos de construção, espaço para brincar ao ar livre.

5. Seja o exemplo

Crianças fazem o que veem, não o que ouvem. Se os pais passam horas no celular, será difícil convencer a criança a desligar. Crie momentos de desconexão para toda a família.

6. Tenha combinados claros

Em vez de brigar toda vez, estabeleça regras claras antecipadamente: "Você pode assistir 30 minutos depois do dever de casa". Use timers visuais para que a criança veja o tempo passando.

Sinais de alerta

Procure ajuda profissional se a criança:

"Telas não são vilãs nem heróis. São ferramentas. E como toda ferramenta, o que importa é como, quando e por quanto tempo usamos." — Jessica Costa Psi
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Jessica Costa

Psicóloga infantojuvenil especializada em neurodivergências. CRP 05/56789

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