TEA & TDAH

Seletividade Alimentar em Crianças Neurodivergentes

Por Jessica Costa | Atualizado em 2025

Seu filho só aceita os mesmos alimentos? A seletividade alimentar é muito comum em crianças com TEA e TDAH. Entenda as causas sensoriais e conheça estratégias gentis para ampliar o repertório alimentar.

O que é seletividade alimentar?

A seletividade alimentar vai além de "ser enjoado para comer". Trata-se de uma restrição significativa no repertório alimentar, onde a criança aceita poucos alimentos — muitas vezes sempre os mesmos, preparados da mesma forma, na mesma marca e até no mesmo prato.

Em crianças neurodivergentes, essa seletividade é frequentemente ligada ao processamento sensorial diferenciado. Não é frescura, não é birra e não é culpa dos pais.

Por que acontece?

Questões sensoriais

A principal causa em crianças com TEA está na hipersensibilidade sensorial. O cérebro processa texturas, sabores, cheiros, temperaturas e até a aparência dos alimentos de forma muito mais intensa. Aquilo que para nós é "normal", para a criança pode ser extremamente desconfortável ou até aversivo.

Necessidade de previsibilidade

Para crianças que precisam de rotina e previsibilidade, a alimentação é mais uma área onde o "conhecido" traz segurança. O alimento familiar é seguro; o desconhecido é ameaçador.

Questões motoras orais

Algumas crianças têm dificuldades na coordenação da mastigação e deglutição, o que torna certos alimentos mais difíceis de comer. Isso pode levar à preferência por alimentos mais fáceis de processar.

O que NÃO fazer

Estratégias que funcionam

1. Exposição gradual e sem pressão

O alimento novo precisa ser apresentado muitas vezes antes de ser aceito. A sequência natural é: ver → tocar → cheirar → levar à boca → mastigar → engolir. Cada etapa é uma conquista que deve ser celebrada.

2. Envolva a criança no processo

Leve ao supermercado, deixe escolher frutas pela cor, convide para ajudar na cozinha. Quando a criança participa do preparo, a relação com o alimento muda.

3. Respeite os alimentos seguros

Sempre ofereça pelo menos um alimento que a criança aceita nas refeições. Isso garante que ela coma algo e reduz a ansiedade à mesa.

4. Ambiente tranquilo nas refeições

Sem TV, sem pressa, sem cobranças. A refeição deve ser um momento agradável. Se possível, faça refeições em família — a criança aprende observando.

5. Trabalho multidisciplinar

O acompanhamento de um terapeuta ocupacional especializado em integração sensorial, junto com nutricionista e psicólogo, pode fazer enorme diferença na ampliação do repertório alimentar.

Quando se preocupar?

Procure ajuda profissional quando:

"A seletividade alimentar não é sobre comida — é sobre como o cérebro da criança processa o mundo. Quando entendemos isso, a compaixão substitui a frustração." — Jessica Costa Psi
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Jessica Costa

Psicóloga infantojuvenil especializada em neurodivergências. CRP 05/56789

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