Muitas vezes o que parece birra pode ser uma criança que não consegue processar tudo que está sentindo. Entender essa diferença muda completamente a forma como respondemos aos nossos filhos.
O que é birra?
A birra é um comportamento intencional da criança para obter algo que deseja. Ela geralmente acontece quando a criança quer um brinquedo, um doce ou quer fazer algo que foi negado. A criança pode chorar, gritar ou fazer manha, mas está relativamente consciente do que está fazendo e pode parar quando consegue o que quer — ou quando percebe que a estratégia não vai funcionar.
Na birra, a criança costuma olhar para o adulto para verificar o efeito da sua reação. Se não há plateia, muitas vezes o comportamento diminui.
O que é sobrecarga emocional?
A sobrecarga emocional (também chamada de meltdown) é completamente diferente. Ela acontece quando o sistema nervoso da criança fica sobrecarregado por estímulos sensoriais, emocionais ou cognitivos além da sua capacidade de processamento. A criança perde o controle — ela não está escolhendo ter aquela reação.
Crianças neurodivergentes, como aquelas com TEA ou TDAH, são especialmente vulneráveis a sobrecargas emocionais, pois seu sistema nervoso pode processar estímulos de forma diferente.
Como diferenciar?
Alguns sinais que ajudam a diferenciar:
- Birra: A criança para quando consegue o que quer; olha para o adulto buscando reação; consegue negociar; o comportamento tem um "objetivo" claro.
- Sobrecarga: A criança não consegue parar mesmo quando oferecemos o que ela quer; parece desconectada; pode se machucar; leva tempo para se recuperar; não responde a negociações.
Como agir em cada situação?
Diante de uma birra:
- Mantenha a calma e seja firme nos limites estabelecidos
- Valide o sentimento, mas não ceda ao comportamento: "Eu entendo que você quer, mas agora não é o momento"
- Ofereça alternativas quando possível
- Evite dar atenção excessiva ao comportamento inadequado
Diante de uma sobrecarga emocional:
- Reduza os estímulos do ambiente (diminua luzes, sons, pessoas ao redor)
- Fale pouco e em tom suave — o excesso de palavras pode piorar
- Ofereça presença segura sem exigir nada da criança
- Espere o momento passar antes de conversar sobre o que aconteceu
- Depois que a calma voltar, ajude a criança a nomear o que sentiu
Prevenção é o melhor caminho
Conhecer os gatilhos do seu filho é fundamental. Ambientes muito barulhentos, mudanças bruscas de rotina, fome, cansaço e excesso de estímulos são causas comuns de sobrecarga. Criar estratégias preventivas — como antecipar transições, ter objetos de conforto e respeitar os sinais de cansaço — pode reduzir significativamente os episódios.
"Antes de corrigir o comportamento, precisamos entender o que está por trás dele. Toda criança faz o melhor que pode com as ferramentas emocionais que tem naquele momento." — Jessica Costa Psi
Se você percebe que seu filho tem episódios frequentes de sobrecarga emocional, considere buscar avaliação profissional. Um psicólogo infantil pode ajudar a identificar as causas e criar estratégias personalizadas para sua família.
Psicóloga infantojuvenil especializada em neurodivergências. CRP 05/56789