Nomear emoções é o primeiro passo para regulá-las. Crianças que aprendem a identificar o que sentem desde cedo desenvolvem inteligência emocional que as acompanhará pela vida toda.
Por que falar sobre emoções é tão importante?
Imagine sentir algo muito forte dentro de você, mas não ter palavras para descrever. É assim que crianças pequenas vivem suas emoções — intensamente e sem ferramentas para compreendê-las. Quando não conseguem expressar com palavras, expressam com o corpo: mordendo, batendo, chorando ou se fechando.
Ensinar a criança a nomear emoções é dar a ela uma das ferramentas mais poderosas para a vida: a capacidade de entender a si mesma.
Quando começar?
Desde bebê! Mesmo antes da criança falar, você pode narrar as emoções que percebe: "Parece que você está com raiva porque o brinquedo não encaixou". Isso cria conexões neurais que facilitarão o reconhecimento emocional mais tarde.
A partir dos 2-3 anos, as crianças já conseguem começar a identificar emoções básicas como alegria, tristeza, raiva e medo. À medida que crescem, o vocabulário emocional pode se expandir para frustração, ciúmes, vergonha, orgulho, ansiedade e gratidão.
Técnicas práticas por faixa etária
2 a 4 anos: O mundo das cores e carinhas
- Termômetro das emoções: Use carinhas simples (feliz, triste, com raiva, com medo) e peça para a criança apontar como está se sentindo
- Cores das emoções: Associe cores a sentimentos — "Hoje estou me sentindo amarelo (feliz) ou azul (triste)?"
- Livros infantis: Livros como "O Monstro das Cores" são excelentes para introduzir o vocabulário emocional
- Espelho das emoções: Brinque no espelho fazendo expressões faciais e nomeando cada uma
4 a 7 anos: Histórias e dramatizações
- Caixa de emoções: Uma caixa onde a criança pode colocar um desenho ou escrever sobre como se sentiu no dia
- Fantoches: Use bonecos para dramatizar situações e explorar como os personagens se sentem
- Diário emocional: Um caderno simples onde a criança desenha sua emoção do dia
- Perguntas no jantar: "Qual foi o momento mais feliz e o mais difícil do seu dia?"
7 a 10 anos: Conversas mais profundas
- Escala de 1 a 10: "De 1 a 10, quão preocupado você está com a prova?"
- Corpo e emoções: "Onde no seu corpo você sente essa ansiedade?" (barriga, peito, cabeça)
- Resolução de problemas: "O que poderia te ajudar a se sentir melhor agora?"
- Normalização: Compartilhe suas próprias emoções: "Hoje eu fiquei frustrada no trabalho, mas respiro fundo e depois conversei com alguém"
Frases que ajudam vs. frases que atrapalham
Em vez de dizer...
- "Para de chorar" → Diga: "Vejo que você está triste. Quer me contar o que aconteceu?"
- "Isso não é motivo pra ter medo" → Diga: "Você está com medo? Vamos enfrentar isso juntos"
- "Menino não chora" → Diga: "Todo mundo chora quando está triste, e tudo bem"
- "Você tem tudo, não tem motivo pra ficar triste" → Diga: "Mesmo quando temos coisas boas, podemos sentir tristeza. É normal"
O papel do adulto como modelo
Crianças aprendem mais pelo que veem do que pelo que ouvem. Se você quer que seu filho saiba lidar com emoções, mostre como você lida com as suas:
- Nomeie suas emoções em voz alta: "Estou me sentindo frustrada agora"
- Mostre suas estratégias de regulação: "Preciso de um minuto para respirar e me acalmar"
- Peça desculpas quando errar: "Me desculpe por ter gritado. Eu estava com raiva, mas não deveria ter agido assim"
"Não existe emoção errada. Toda emoção é uma mensagem. Nosso papel como adultos é ensinar as crianças a ler essas mensagens." — Jessica Costa Psi
Psicóloga infantojuvenil especializada em neurodivergências. CRP 05/56789